Tecendo a Manhã
Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.
João Cabral de Melo Neto
Uma das vantagens do horário de verão é poder observar o nascer do sol. É perceber o quão insignificante esse fenômeno se tornou para todos a minha volta. Enquanto uns pensam, ouvem, continuam na tentativa frustrante de dormir em um ônibus lotado, eu me ponho quieto e constante a observar a famosa Luz Balão de Cabral de Melo Neto, que me chama a atenção diariamente das mais variadas formas. Casas, árvores, carros, seres inanimados e animados… tudo passa despercebido, apenas “o toldo de um tecido aéreo” prende minha alma irrequieta, adormece meu corpo virulento e me faz flutuar como em um balão, direto para a luz de origem. Luz essa que só é possível graças ao coser de nós, eternos galos, que entrelaçamos os fios do(a)-manhã na construção da Luz em forma de balão: O Sol
Tecer a manhã e o amanhã, como qual fazem os galos, consiste num trabalho comunitário. Nossas vidas se entrelaçam, isso é inevitável. Não há como lançar um grito sem que eu pegue o grito que um galo lançou e lance esse grito a outro galo. Não há como tecer sozinho. Não há como entender o poema sem completá-lo. O trabalho se inicia cedo, e depende de cada indivíduo para ser bem sucedido. É certo, que independente de nós, a luz “se eleva por si”, mas porque não pensarmos que a fazemos nascer PARA nós? Porque não agimos como se fôssemos os únicos responsáveis pela existência periódica dos fios de luz? E quem disse que não somos? Somos protagonistas nessa trama. Somos os roteiristas, os costureiros. Não é à toa que texto e tecido têm a mesma origem. Este, o entrelaçamento de fios; aquele, o entrelaçamento de palavras.
Sejamos mútuos. Sejamos firmes. Sejamos sonhadores-despertos. Existe alguém a espera do nosso grito, para que o fio de sol seja lançado a outro que o lance a outro e a outro …
Guilherme Moreira Santos – Meu poema favorito !

Adoro João Cabral de Mello Neto. ;*
É um dos meus poemas favoritos. no começo não tinha entendido, mas quando fui pesquisar sobre o que se tratava, me apaixonei !!!
Guíih, seu vacaa! kkkkkkkkkk´s Não é possííííveel q vc colocou esse poema no blog!!! Claro que é perfeito…isso é literatura, meu fiiiilho… =)
E o troféu vaca do ano vai para … Larissa!!!! que só foi almoçar comigo porque …. ela sabe o porque