É o que diz o escritor Frederico Pernambucano de Melo em seu sétimo livro Estrelas de couro, a estética do cangaço. O livro nos traz acontecimentos e curiosidades sobre o rei do cangaço que até então eram desconhecidos de muitos. Não há como imaginar um rude sertanejo de 1m e 80 tricotando ao lado de sua esposa. Pois bem, é a mais pura verdade. Ao entrevistar as pessoas que conviveram intimamente com o cangaceiro, Frederico se depara com depoimentos que vão de encontro com os estereótipos assimilados pelo conhecimento popular: Virgulino, um homem permanentemente brutal. No entanto a pesquisa do autor nos revela um ser bem educado e com muita cultura.
Lampeão se difere de outros chefes de bando por essa característica: cuidar do seu estilo e principalmente de seus cangaceiros. Todos os adornos, especialmente as peças de metais costuradas às roupas e os chapéus com a dobra característica , lhe agregavam poder, um poder específico do cangaceiro nordestino, manifestando o orgulho que tinham dessa “profissão”. O escritor Frederico de Melo relata que as fotos as quais o casal, Maria Bonita e Lampeão, aparecem juntos é nada mais do que uma forma de mostrar as roupas por eles mesmos costuradas, de modo que essas fotografias fossem espalhadas por todo sertão nordestino a fim de exibir a arte a qual Lampeão tanto admirava.
É uma dualidade inexplicável, pois até então tinha-se uma imagem completamente diferente daquela apresentada durante as aulas de história: Virgulino Ferreira, vugo Lampeão, um ser execrável que fazia o mal sem olhar a quem, um indivíduo bruto, austero e extremamente sórdido, quando na verdade um ser humano culto, fashionista e icônico. Um ícone da Haute- Cotoure.

Tem que dar um desse aí pro Queridão.
Ele vai ler em uma hora, se deixar! kkkkkkkkkkk